Durante uma meditação avistei um jardim. Bonito, imenso, cheio de flores e pessoas entrando e saindo… Era como um desses jardins botânicos, que as pessoas visitam para conhecer novas espécies ou apenas para apreciar.
As flores estavam agrupadas por espécie, e a área reservada para as rosas era a mais movimentada, como era de se esperar: com muitas cores, aromas e formas, elas atraíam a atenção de quase todos que entravam lá.
Mais afastada, havia uma rosa solitária, parecia perdida, uma semente ou muda que germinou fora de lugar…
Algumas pessoas a notavam, corriam na direção dela para conferir, mas logo se afastavam, com um olhar de frustração.
Aproximei o meu olhar daquela rosa, para tentar entender o que acontecia. Percebi que não era exatamente uma rosa… parecia outra planta mimetizando (imitando) a aparência de rosa. Curiosa, fui investigar mais a fundo. Entendi então que era uma bromélia, completamente modificada.
Logo entendi o que a visão queria me dizer, mas como sou persistente, continuei a brincadeira.
A pobre bromélia, não aceitando sua forma (e sua solidão), tentava imitar uma rosa, para ser aceita, já que na perspectiva dela “ninguém gosta de bromélias”. E, de fato, a área das bromélias estava pouco movimentada, quase ninguém transitava por ali e, quem passava, já estava apressado para ir embora.
Nesse momento meu mentor resolveu começar a falar. Ao notar que eu já havia percebido que ele estava mostrando minhas próprias atitudes, apenas sugeriu que eu continuasse observando…
Lentamente, aquela bromélia foi desistindo de imitar uma rosa, já que isso só causava frustração em quem se aproximava. Pouco a pouco, foi abrindo seus ramos e assumindo sua forma natural. Fiquei impressionada com sua beleza! Era muito mais bonita do que eu esperava.
Ainda assim, por alguns minutos, nada mudou no jardim, ela continuava solitária no seu cantinho, apenas se sentindo aliviada por não precisar mais fazer tanto esforço para moldar suas folhas. Fiquei sem entender, até que meu mentor disse: “olha lá!”
Observei um homem que entrava no jardim. Diferente da maioria, ele olhava para todos os lados, como se soubesse o que procurava. “Um botânico,” pensei, “deve ter interesse em alguma espécie específica”. Então ele começou a andar na direção da nossa amiga bromélia.
Ao vê-la, sua expressão mudou. Parecia ter encontrado algo raro! Eu ri com a situação. Ele tirava fotos, fazia anotações, passou um bom tempo ao lado da nossa coleguinha. Vimos o tempo passar e, diariamente, ele voltava para observá-la, como se estudasse seu desenvolvimento ou apenas gostasse da sua companhia.
Nessa altura, já não importavam esses detalhes, porque eu já tinha compreendido a mensagem. Mas ainda assim, a visão continuou: vi uma bromélia linda e feliz (gente, é meditação, é igual sonho, bromélias podem ter emoções aqui, ok?), mesmo que a maioria das pessoas ainda visitassem as rosas, todas eram passageiras e as visitavam pela popularidade, mas o homem que visitava a bromélia, ah! este tinha uma admiração genuína e, pra ela, isso bastava.
Sabem como eu sei que a bromélia estava feliz?
Porque ela era eu. Eu sabia que meu mentor estava me mostrando o que aconteceria se eu parasse de tentar ser aceita pra me encaixar.
Mesmo não querendo ser o centro das atenções, queria ao menos não me sentir tão diferente, tão fora do padrão. Mas o que ele tinha me mostrado ali era que a minha natureza não era padrão e que eu estava fazendo muito esforço e gastando muita energia para tentar ser igual. Eu vinha fazendo muitas perguntas naquela época e essa metáfora era a resposta pra quase todas as minhas perguntas.
A partir daquele dia, iniciei um caminho de, “folha por folha”, voltar pra minha essência, mesmo que de vez em quando (quase sempre) eu tenha a impressão de que não serei aceita como sou. No final das contas, foi um longo processo de desenvolver minha autoestima: bromélias não são minhas plantas favoritas e meu mentor soube escolher, porque me causa exatamente o desconforto que sentia em relação a mim mesma.
Agora, anos depois deste dia, percebo a necessidade de soltar o medo de ser vista como realmente sou, já que o próprio projeto exige isso de mim. Não é uma tarefa tão fácil, a bromélia aqui ainda não se sente flor (acho que bromélias não dão flor mesmo). Mas, como diria Calunga: “Eu sou o que sou e só sou o que sou. O que não sou, não sou.”
E, assim como a bromélia, que só tinha um admirador, se minha palavras tocarem uma só alma, meu trabalho já alcançou seu objetivo.
Por isso, resolvi aceitar um desafio: falar de mim.
Elaborei uma sequencia de stories no meu Instagram pessoal, onde compartilho partes da minha história e curiosidades. Acontece que quando estava finalizando este desafio (será publicado nos próximos dias) percebi como muito de mim me conduz de volta para este projeto, para os temas que abordo aqui.
Este site não é novidade, é um trabalho de anos que aqui neste novo endereço está ganhando uma nova cara, mais completo, com raízes mais profundas… O desafio apenas reforçou algo que já estava em andamento.
Acabei por decidir transformar a sequência de stories em posts aqui no blog, onde posso me aprofundar, sem limite de caracteres.
Por isso, se você veio do Instagram, fique à vontade para explorar nosso novo espaço. Se sentiu alguma afinidade, considere se inscrever na nossa newsletter, assim não perde as novidades. E não deixe de me acompanhar nesse passeio de 30 dias, 30 recortes.
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