Quando iniciei os estudos sobre meditação, já percebi a dificuldade que eu teria para seguir as técnicas que os livros descreviam.
Ficar sentada, com os olhos fechados pensando em nada? Simplesmente não era pra mim.
Mas pouco tempo depois, em um livro do Daniel Goleman, li sobre contemplação:
A contemplação pode ser entendida como uma forma de atenção interior tranquila e receptiva, na qual nos permitimos simplesmente estar presentes com o que há — sem tentar mudar, julgar ou controlar. É uma abertura para perceber o momento presente, acolher as sensações, os pensamentos, as emoções, sem mergulhar neles ou ficar prisioneira deles.
Era isso! Eu praticava isso de forma natural, há bastante tempo, sem nem perceber.
Acolhendo a contemplação como uma porta de entrada para a meditação, percebi que este era o meu jeito de meditar. Pelo menos enquanto não pudesse ir além… Técnicas muito elaboradas nunca foram meu forte. Sou mais do improviso do que da receita pronta.
Com o passar dos anos, tudo virou cenário para contemplar: o que começou sentada num gramado em meio às árvores, virou um café passado, com direito a sentir o aroma do café, o calor do vapor subindo suavemente, a janela embaçada e todo o cenário ao meu redor enquanto ouvia as gotas de café pingando na caneca… e depois o sabor! Quando a gente sabe apreciar, consegue sentir a vida vibrando dentro de nós.
Às vezes a gente precisa que alguém com problemas de visão nos diga como seria bom poder ver da forma como vemos, alguém com problemas de audição expressando o quanto gostaria de ouvir melhor, ou de alguém numa cadeira de rodas pra nos dizer o quanto seria incrível poder caminhar por aí.
São perspectivas, mas a contemplação pode nos levar por estes caminhos, sem a necessidade do choque que a vida costuma nos oferecer quando estamos nos recusando a observar atentamente.
Lembro de uma fase da minha vida em que tudo era tão intenso e eu estava num ritmo tão acelerado, que meu momento de contemplação era a fila do supermercado!
Não é brincadeira não! Era o único momento em que eu conseguia um respiro, então aproveitava para fazer o exercício: respirar, serenar a mente e sair do estado de alerta constante daquela fase complicada. Entendi que a vida tem disso, vai ter épocas mais calmas e outras mais intensas. A gente sempre tende a gostar mais de uma do que da outra, mas talvez a lição esteja em aprender com cada uma delas.
E foi nessa dança entre extremos que usei a contemplação como forma de autorregulagem, de me reequilibrar para não me perder de mim.
Existem exercícios simples de contemplação como a situação do café que citei, se você tiver interesse, deixa aqui um comentário. Quem sabe posso elaborar um áudio de contemplação guiada para ouvir em momentos como este?